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Gerenciamento de Ações

Utilizando satélites para gerenciar o caos urbano

26/10/2016
Tags: casos de sucesso

O crescimento desordenado parece ser uma tendência nos centros urbanos do planeta. Nem as cidades ditas planejadas escaparam dessa situação. Brasília, por exemplo, projetada para ter 500 mil habitantes, tem hoje mais de 2 milhões e abriga a maior favela da América Latina. Como é possível a um governo ter gerência sobre o processo de ocupação do espaço urbano? O conhecimento desses movimentos populacionais é importante para fazer projetos de segurança pública, pensar onde é possível implementar um posto de saúde ou construir uma escola. Além disso, ocupações irregulares próximas a rios ou em cima de morros e barrancos são um prato cheio para desastres naturais como enchentes e desmoronamentos. O Estado precisa identificar e monitorar essas construções para uma ação preventiva ou para um socorro rápido e eficaz em caso de acidentes.

Foi pensando em minimizar os danos causados pelos desastres naturais que o Joint Research Centre (JRC) da Comissão Europeia criou um grupo de pesquisa para prevenção desses acidentes. Inserida nesse grupo existe uma equipe responsável pela identificação de áreas construídas e que desenvolve uma metodologia computacional de mapeamento utilizando imagens de satélite. Mas entenda que  esse sistema não é igual ao Google Earth. O mapeamento desenvolvido pelo JRC identifica nas imagens de satélite os padrões relacionados aos alvos correspondentes às áreas construídas, através de técnicas de sensoriamento remoto, processamento digital de imagens e reconhecimento de padrões. 

Na busca para montar um mapa global de áreas construídas, o JRC buscou parceria junto ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), aqui no Brasil, que é um dos pioneiros na disponibilização gratuita de imagens de satélite. A partir de então, a parceria se estendeu a uma cooperação por meio do Projeto Apoio aos Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil. A utilização das imagens do satétlite sino-brasileiro CBERS-2B pelo JRC, abriu caminho para o INPE realizar testes utilizando o método europeu, bem como contribuiu para o mapeamento brasileiro, ação que também contribui para o centro de pesquisa europeu na composição do seu mapa.

Na 7ª convocatória dos Diálogos Setoriais, as missões aconteceram com o intuito de aproximar e intensificar a troca de informações entre Brasil e União Europeia, para a execução de um estudo de caso que contribuiu para o INPE entender melhor o funcionamento da metodologia europeia. Imagens do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, foram utilizadas nessa primeira etapa, que abriu caminho para um piloto executado entre 2015 e 2016 na 8ª convocatória dos Diálogos Setoriais. Nessa segunda proposta de ação, 20 mil imagens de satélite de todo território nacional, captadas no ano de 2012, foram processadas pelo INPE utilizando a tecnologia europeia. Novas missões à Europa foram realizadas para apresentar os resultados e buscar uma validação do JRC sobre a utilização do método e para a calibragem do sistema.

A partir de agora, INPE e JRC estão realizando a validação das imagens de 2012 para posteriormente realizar uma nova rodada de processamento de imagens mais recentes do território nacional obtendo um mapa mais preciso e atualizado das áreas construídas, já que “os resultados da última missão foram bastante promissores, gerando uma perspectiva de continuar a colaboração”, afirma Thales Sehn Körting, especialista em processamento de imagens e responsável operacional da ação no INPE.

A cooperação entre União Europeia e Brasil apoiada desde 2014 pelos Diálogos Setoriais entregará à ambos uma ferramenta imprescindível tanto para a prevenção de desastres naturais, como para a elaboração mais precisa e eficiente das mais diversas políticas públicas.

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